quarta-feira, 12 de março de 2008

African-american voters

Percentagem de 91-9 para Barack Obama. Previsão da CNN. O Wolf Blitzer, porém, conta que não estão ainda preparados para anunciar o vencedor no Mississipi. É melhor, sim, não vá o resto sem excepção votar na Clinton. São números aflitivos para Hillary - Bill era um tipo bem popular na população negra. Há explicação para isto, claro, há sim. Estou farto fartinho de Martini.

terça-feira, 11 de março de 2008

Mississípi (ou Mississippi ou Mississipi) é o estado do Faulkner

O espectro político americano anda bem recreado com o escândalo Spitzer - superdelegado de Clinton, por azar da senadora de NY - ("espectro político" é uma daquelas expressões a só usar de novo sob tortura), mas interessante interessante é o Mississipi: estão 33 delegados comprometidos em jogo (mais 7 superdelegados) num estado moldado para Barack Obama: ganhou nos dois estados vizinhos mais semelhantes: Alabama (56-42) e Louisiana (57-36); e nenhum destes por "caucus" - onde Obama se mostra quase quase imbatível -, mas por eleição directa como a de hoje. Para mais, o Mississípi será um dos estados em que o peso do voto da população negra (que mostra seguir em maioria esmagadora para Obama) mais se fará notar: 37 por cento da população total ou números não muito distantes disso. Tudo bons indícios para uma vitória do senador do Illinois hoje à noite. As últimas sondagens conhecidas também atestam a ideia.

Mais primárias - importantíssimas por sinal (188 delegados) - só daqui a um mês na Pensilvânia (22 de Abril). (Teria dado muito mais cenário ter escrito Pennsylvania.)

quarta-feira, 5 de março de 2008

Dan Snaith, ex-Manitoba...

agora Caribou, quarta próxima no Santiago Alquimista. O "Andorra" é álbum para ter sido dos meus favoritos de 2007. Comparativamente a anos anteriores ouvi coisa pouca. Fiz as usuais listas (de cinema, de música, de livros) mentalmente; esqueci-me delas entrementes. A de música, do que me recordo, era assim: 1º The National, "Boxer"; 2º Robert Wyatt, "Comicopera". Sou um rapaz simples: dois discos destes, sublimes, por ano, bastam-me.

O restante que tenho em boa estima de 2007 que se espalhe ao acaso na tal lista que não existe. Bill Callahan (sempre, sempre), Kevin Ayers, Joe Henry, Amon Tobin, Bon Iver, Besnard Lakes (escutai, pela vossa saúde, isto). Mais Caribou. Mais, talvez, não tenho a certeza, Vieux Farka Touré. Persegui durante boa parte do ano o último Danny Cohen, "Shades of Dorian Gray", mas o canalha do disco, por isto e por muito aquilo, fugiu-me.

E duas escolhas portuguesas: 1º JP Simões, "1970"; 2º Amélia Muge, "Não Sou Daqui". Ou ao contrário.

"imagine que..."

Hillary ganha os restantes estados de enfiada - a juntar a Ohio, Texas e Rhode Island de ontem. Tal é inimaginável, mas "imagine que..."; nem assim a vista lhe será favorável. Artigo de Jonathan Alter na Newsweek:


"Hillary Clinton may be poised for a big night tonight, with wins in Ohio, Texas and Rhode Island. Clinton aides say this will be the beginning of her comeback against Barack Obama. There's only one problem with this analysis: they can't count.

I'm no good at math either, but with the help of Slate’s Delegate Calculator I've scoped out the rest of the primaries, and even if you assume huge Hillary wins from here on out, the numbers don't look good for Clinton. In order to show how deep a hole she's in, I've given her the benefit of the doubt every week for the rest of the primaries.

So here we go: Let's assume Hillary beats expectations and wins Ohio tonight 55-45, Rhode Island 55-45, Texas, 53-47 and (this is highly improbable), ties in Vermont, 50-50.

Then it's on to Wyoming on Saturday, where, let's say, the momentum of today helps her win 53-47. Next Tuesday in Mississippi—where African-Americans play a big role in the Democratic primary—she shocks the political world by winning 52-48.

Then on April 22, the big one, Pennsylvania—and it's a Hillary blowout, 60-40, with Clinton picking up a whopping 32 delegates. She wins both of Guam's two delegates on May 30, and Indiana's proximity to Illinois does Obama no good on May 6, with the Hoosiers going for Hillary 55-45. The same day brings another huge upset in a heavily African-American state: enough North Carolina blacks desert Obama to give the state to Hillary 52-48, netting her five more delegates.

Suppose May 13 in West Virginia is no kinder to Obama, and he loses by double digits, netting Clinton two delegates. The identical 55-45 result on May 20 in Kentucky nets her five more. The same day brings Oregon, a classic Obama state. Oops! He loses there 52-48. Hillary wins by 10 in Montana and South Dakota on June 3, and primary season ends on June 7 in Puerto Rico with another big Viva Clinton! Hillary pulls off a 60-40 landslide, giving her another 11 delegates. She has enjoyed a string of 16 victories in a row over three months.

So at the end of regulation, Hillary's the nominee, right? Actually, this much-too-generous scenario (which doesn't even account for Texas's weird "pri-caucus" system, which favors Obama in delegate selection) still leaves the pledged-delegate score at 1,634 for Obama to 1,576 for Clinton. That's a 58-delegate lead.

Let's say the Democratic National Committee schedules do-overs in Florida and (heavily African-American) Michigan. Hillary wins big yet again. But the chances of her netting 56 delegates out of those two states would require two more huge margins. (Unfortunately the Slate calculator isn't helping me here.)

So no matter how you cut it, Obama will almost certainly end the primaries with a pledged-delegate lead, courtesy of all those landslides in February. Hillary would then have to convince the uncommitted superdelegates to reverse the will of the people. Even coming off a big Hillary winning streak, few if any superdelegates will be inclined to do so. For politicians to upend what the voters have decided might be a tad, well, suicidal.

For all of those who have been trashing me for saying this thing is over, please feel free to do your own math. Give Hillary 75 percent in Kentucky and Indiana. Give her a blowout in Oregon. You will still have a hard time getting her through the process with a pledged-delegate lead.

The Clintonites can spin to their heart's content about how Obama can't carry any large states besides Illinois. How he can't close the deal. How they've got the Big Mo now.

Tell it to Slate's Delegate Calculator.
"

matemática de delegados

* A Win Is Not A Win

* Vermont May Be The Most Important State Of The Night


(dois artigos de Marc Ambinder)

terça-feira, 4 de março de 2008

a Robin Wright Penn fascina-me desde muito niño...

e hoje há primárias no Texas e no Ohio (e em Vermont e Rhode Island, mas aqui pouco interessa: Vermont é de Obama, RI de Hillary). Noite então propícia ao Red Bull e tema mui premente para o meu efémero contentamento. Obama, olhando para todas as sondagens dos últimos meses, teve uma notável recuperação no Ohio - fruto do seu "momentum", das onze vitórias seguidas, da sua organizada máquina política e das ilimitadas doações que a sua campanha vai arrecadando -, mas tenho assente nos neurónios que Hillary aí vencerá - é precisamente aí, em Columbus, que Hillary tem discurso marcado.

No Texas joga-se grande parte da noite. Para Hillary não chega ganhar no Ohio; é um "must win" nos dois estados como o próprio Bill Clinton já admitiu. Ganhe Obama o TX - terceiro estado que mais delegados fornece aos democratas (228) - e, palpite meu e de um "estratega" democrata careca que ouvi na CNN há um par de semanas entrevistado pelo Anderson Cooper, a eleição democrata é dele por muito que Hillary esperneie e resolva arrastar a coisa até às últimas consequências - leia-se nisto, até à convenção do partido em Denver, lá para Agosto, com tudo o que de nefasto ou importuno isto pode causar ao nomeado democrata, com tudo o que de benéfico isto pode trazer a John McCain. (Pode, em itálico, longe de ser certo - explico lá mais para baixo se isto correr bem.) Perca o Texas e as pressões sobre Hillary dentro do partido para que abandone serão mais do que muitas.

O problema reside nisto: (e aqui vem outro palpite revelador do meu insigne génio:) se as sondagens de ontem dão o Texas para Obama - ainda que por uma curtíssima margem percentual -, eu digo que o estado onde nasceu Wes Anderson e Owen Wilson, Tommy Lee Jones e Kris Kristofferson, Patricia Highsmith e Ornette Coleman, Anna Nicole Smith e Robin Wright Penn (está encontrada a perfeita justificação para o título), Woody Harrelson e o seu peculiar papá, o estado que viu crescer e onde habita Terry Malick - enfim, passei uma boa meia hora entretido nisto na Wikipedia -, acabará por cair para Mrs. Clinton. Causas? Os 30 a 40 por cento de hispânicos no estado e os seus últimos discursos tidos de cariz mais "populista" ao bom estilo John Edwards. (Nota aqui: o "populismo" de Edwards é muito do meu agrado, mesmo; tenho para mim que daria um vice perto do ideal para Obama; o ideal seria a própria Clinton mas parece impossível, adiante.) E este cenário de dupla vitória de Clinton é uma maçada daquelas para o partido democrata.

Só altas e improváveis diferenças percentuais - hoje e nas próximas primárias - permitirão a Hillary alcançar os delegados comprometidos de Obama, mas ganhar no Texas e Ohio, mesmo que à tangente, mesmo que com uma irrisória aproximação quanto ao número de delegados, dar-lhe-á justificação de sobra para se manter na corrida e tentar quebrar a corrente de Obama. Ganhará, afinal, os "big states": os de hoje, a serem ganhos, juntar-se-ão a Califórnia, NY, NJ, Massachusetts. Como contraprova, Obama terá a apresentar Illinois, o "seu" próprio terreno, onde ganhar não era só expectável - era exigível -, bem como uma série admirável de estados mais pequenos.

Se Obama não ganhar hoje no Texas, se Obama não ganhar nas primárias da Pensilvânia (22 de Abril, 188 delegados), se Obama não descolar de Hillary até 7 de Junho (nos "caucus" de Puerto Rico), no pior do pior dos cenários para os democratas, a eleição arrasta-se até à convenção. Aí o caso complica-se: prevê-se "sangue" entre os candidatos e um partido partido ao meio frente ao mais forte candidato que os republicanos podiam apresentar – tenho dúvidas que os próprios republicanos o saibam, mas qualquer outro nomeado que não McCain seria, estou convencidíssimo, esmagado, de tão péssimos que eram. (Lamente-se que em 2000 não tenha sido McCain o republicano escolhido, lamente-se as tácticas na altura usadas pela campanha de Bush e hoje aparentemente esquecidas por McCain.)

Volte-se aos democratas: este cenário fratricida na convenção, se evitável, melhor; caso contrário, não o encaro como catastrófico ou decisivo para uma eventual vitória final de McCain em Novembro - a excepção será Obama chegar à convenção com mais delegados comprometidos e perder pelos superdelegados: era escandaleira e "hara-kiri" democrata.
(Regresso então ao pode:) Mas considere-se pois que tudo se resolve na pior paisagem para os democratas: o tempo de antena no Pepsi Center em Denver para aquela convenção será ilitimado; e se McCain poderá ganhar uma aura de candidato "único", que se passeará pelos estados americanos à espera de oponente, não é menos verdade que a atenção de tudo e todos continuará por inteira, como até aqui, do lado dos democratas.

Mais dois pontos: a) McCain tem ainda muitos votos republicanos por convencer, a tal base conservadora que olha de soslaio para o veterano de guerra, mas liberal em demasia: e se ceder à direita - como muitos do seu partido estarão à espera -, perderá o centro, onde a mensagem de Obama tem propagado de forma espantosa, e onde tudo, como sempre, se decidirá; e b) a comparência às urnas por parte dos eleitores democratas tem dobrado, pelo menos, a dos republicanos em todos estados - o que mostra um partido, dividido ou não, altamente motivado em romper com os 8 anos de Bush na Casa Branca.


(Declaração de interesses: Este blogue torce e sofre por Obama mais, muito mais, do que pelo clube onde joga Milan Purovic. Culpo o Ted Sorensen e os 37 mil caracteres do texto do Andrew Sullivan e o talento de Barack para o basquetebol - nº23 - por isso. Reconheço simpatia por Clinton - nem que seja pela apoplexia que só o seu nome causa aos mais acérrimos republicanos -, e o senador do Arizona, vejam lá bem, é um tipo que não odeio - "republicanamente" falando, evidente. Simplifique-se a coisa: nas minhas preferências: Obama > Obama > Obama > Obama > Obama> Obama > Obama > Obama > Hillary Clinton > McCain.)

(Não quero que vos falte nada: a Robin Wright Penn e o Sean Penn vão-se divorciar; ambos apoiavam o Kucinich.)

Nina Mouritzen

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Yellow Highway, Copenhagen, 2002



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Night Sky, 2002



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Broome Street, 2004



Mais fotos da dinamarquesa - descoberta pela recém descoberta do trabalho de Wolfgang Tillmans * - por aqui: www.ninamouritzen.com. As músicas são de Jackson C. Frank. A pobre e pouco hábil associação é minha.

* Tillmans, por seu turno, descoberto numa canção de génio (como outras duas ou três ou quatro ou cinco ou...) de Stephin Merritt - depois, eventualmente, explico.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Roberto Bolaño

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* artigo sobre o chileno na The New Yorker;

* James Wood no The New York Times;

* Francine Prose no mesmo sítio;

* João Paulo Sousa no Da Literatura - vem aí, edição da Teorema, "Os Detectives Selvagens", obra maior de Bolaño.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

escutado hoje:

"Não és tu que tens de ser inteligente; é o texto que tem de o ser."

ele pergunta-me:

"Como vai isso?"
E eu respondo-lhe sempre: "Muito mal; uma merda. Insípido, ambíguo, escusadamente grande."
E ele: "Ah, bom; então fico tranquilo...".

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«I always contradict myself»

Richard Burton em Bitter Victory, de Nicholas Ray.