quarta-feira, 14 de maio de 2008

o base mais bonito de toda a NBA

a Wendy acabou mesmo agorinha de escrever o discurso

O John Edwards apoia publicamente o Obama por esta altura. Eu gosto do Edwards, daquele cabelo, daquele sotaque; parece-me bom homem, e isto está a ser um belo discurso*, comovente aqui e ali, bem elogioso para Hillary, mas adiante. O dia seria de Hillary Clinton (que até deu uma entrevista ao Wolf Blitzer - dogma aqui: ninguém diz "Mahmoud Ahmadinejad" como o Blitzer) por direito próprio - pela clara vitória na Virgínia Ocidental (67 por cento conta 25,7). Seria mas não é: tudo foi completamente relegado para segundo plano com este apoio do ex-senador da Carolina do Norte a Barack Obama - Edwards que apesar de já não estar na corrida ainda ontem levou sete por cento dos votos na Virgínia Ocidental; Edwards que ainda anteontem reservava o seu apoio. Para alguém com problemas com os "white working class voters" não há apoio mais certeiro dentro dos democratas que o apoio de John Edwards. Parece que da Virgínia Ocidental Hillary leva 20 delegados contra 8 de Obama. Números já insignificantes para Hillary Clinton; e números agora completamente sufocados por este apoio: Edwards quando desistiu desta corrida levou consigo 19 delegados que teoricamente - não estão por nada obrigados a isso - deverão seguir para Obama. Isto foi tudo muito bem feitinho, tudo muito bem preparadinho; isto é tão bom a tantos níveis, ai ai.


* Ms. Palmieri is a family favorite and has been called upon to staff the Edwards family at sensitive events before.

What's Wendy Button, Edwards's longtime speechwriter, been doing lately? I hear she's been writing a secret speech... (Her facebook profile includes this entry for 3pm: "Wendy just finished writing the speech.")


(do blog do Marc-como-é-que-alguém-sabe-estas-merdas-?-Ambinder)


** adenda: parte do discurso do Edwards aqui.

*** adenda 2: a importância de Edwards: 1) "John Edwards In Retrospective"; 2) "Why John Edwards Won"

Virgínia Ocidental

Se mañana quando acordar ler/ouvir por aí que isto - a esmagadora vitória de Clinton num estado que demograficamente é feito à sua medida e que a campanha de Obama por estratégia ignorou - vai relançar a corrida democrata vou ficar desnecessariamente irritado como tudo. Vai-me dar vontade de chorar como a uma miudinha. Não relança rigorosamente nada e ler/ouvir histerismos dessa natureza faz-me tanta falta como uma dor de dentes desmedida. Atenciosamente.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

enfim, acabou assim...



e eu não podia pedir nada mais. rejubilai, rejubilai.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

sete razões...

* para Clinton desistir, agora;

* para Clinton ficar na corrida.


(Marc Ambinder)

Sullivan vs. Clinton

Nunca sei muito bem se devo encarar qualquer elogio do Andrew Sullivan ao Obama como genuíno ou inteiramente fruto do seu ódio contra a família Clinton. Pelo menos, na questão do ódio, Sullivan não engana ninguém e regra geral até tem uma certa piada. Este post ("If Clinton Drops Out") atesta-o.

(Nota-se que o Sullivan está a ter todo um dia de estupenda alegria:
Richelieu thinks "she's out in a week or less." Oh don't do that to me.)

vale a pena ler

* "Obama Wins; How Does Clinton Lose?" (Marc Ambinder)

* "A Few Random Thoughts" (Josh Patashnik)

* "This is the End" (publius)

* "Vai uma aposta?", (Rui Tavares, hoje na última página do PÚBLICO - enfim, vão comprar o jornal)


(a propósito: dei-me conta que a Cinemateca passa na sexta que vem às 19h um documentário que desconhecia em absoluto sobre as primárias do Partido Democrata - JFK contra Humphrey Hubert - nas eleições de 60)

resumo da noite (com direito a imagem desportiva)

Isto acabou. Um ponto para Hillary na linha de lance livre pela vitória à tira no Indiana - 51-49, dois por cento, pouco mais de vinte mil votos. Um triplo para Obama pela vitória folgada na Carolina do Norte - 56.2-41.5, quase quinze pontos à maior, vantagem de mais de duzentos mil votos. (Eu joguei basket e podia bem ter sido o base mais inteligente e perfeito de sempre cá da terra: foi mera opção e nada mais: para terem uma ideia de como era bom é verem cinco ou dez minutinhos do jogo do Chris Paul.) O problema para Clinton, a impossibilidade para Clinton, é que falta aí meio minuto para acabar o raio do jogo e Obama ganha aí por uns dez pontos de diferença; entendem a imagem? E o tempo que resta para jogar não dá a Clinton hipóteses para marcar quatro triplos de enfiada. Não há nem tempo para isso nem Obama deixará entrementes de marcar uns pontinhos também. Ela - que não tem muito mais dinheiro para andar a brincar às primárias -, olhando para as sondagens, deverá ganhar na Virgínia Ocidental (dia 13, 39 delegados), Kentucky (dia 16, 60 delegados), e Porto Rico (1 de Junho, 63 delegados); ele ganhará no Oregan (dia 16, 65 delegados), e é expectável que vença no Montana e Dacota do Sul (dia 3 de Junho, 24 e 23 delegados respectivamente) - aqui não conheço sondagens, mas Obama ganhou nos estados circundantes por margens consistentes. Montana e Dacota do Sul são os últimos estados em jogo e caso Obama precisasse de mais alguma legitimação - não precisa, não precisa -, estes dois últimos estados dar-lhe-iam uma aura de vencedor final - não precisa, não precisa. Acabou. Era simpático que Hillary reconhecesse, para todos os efeitos e para as minhas olheiras e dores nas costas, que isto acabou, que entregasse a bola a Obama de vez - algo que não vai, evidente, acontecer, atente-se no discurso de ontem (todo ele muito falso, muito forçado - não me dá especial gozo escrever isto) de Hillary Clinton. Os Celtics jogaram miseravelmente.

terça-feira, 6 de maio de 2008

What to Expect in Indiana and North Carolina

1.) There are four polls out today that previously came out last week. All four show Obama gaining in Indiana and Clinton gaining in North Carolina. In Indiana, Clinton's lead is down from 8 to 5 (PPP), from 9 to 8 (ARG), 7 to 4 (Insider Advantage), and from tied to down 2 (Zogby). In North Carolina, Obama's lead is down from 12 to 10 (PPP), from 11 to 8 (ARG), 5 to 3 (Insider Advantage--actually more like 5 to just under 4), and 16 to 8 (Zogby). I don't know precisely where that leaves us, but, qualitatively, I'd guess we're looking at a "solid, but not as big as it could have been" win for Hillary in Indiana, and a "closer-than-expected, but not super-close" win for Obama in North Carolina.


(Noam Scheiber)


Não há cá "game-changer" - detesto o uso destes estrangeirismos, mas neste caso não sei de expressão melhor - algum. Tudo na mesma, portanto, algures entre um sítio qualquer e coisa nenhuma e a continuação da vantagem sólida de Obama - que em teoria hoje deve ser alargada: a Carolina do Norte fornece mais delegados que Indiana, e a vantagem de Obama deverá aí ser maior do que a vantagem de Hillary Clinton no Indiana. Queria tanto escrever "vantagem imutável" em vez de "vantagem sólida" mas, sei lá eu porquê, ainda tenho um certo pudor de o fazer - mesmo depois de ler aí uma dezena de artigos destes. Mais: confirma-se a tal tendência algures abaixo já falada de os superdelegados escolherem Obama à medida que a corrida vai esticando e esticando até ao infinito. É muito chato aquele reverendo Wright, sim que é. Um idiota chapado. Ai as minhas costas. Estou com uma tremenda dor nas costas. Apanhei esta dor por ler deitado e muito torcido. Ai, ai, ai. Enfim, não tenho, aparentemente, "postura". Este Jack Cafferty odeia tanto a Clinton. Quase quase quase tanto como o Andrew Sullivan. Conhecem algum remédio caseiro para as dores de costas apanhadas por ler deitado e muito torcido? A Anjali Rao da CNN é interessante, sim, e aquilo na Birmânia está uma desgraça, sim, mas estava muito bem entretido a ver o Wolf Blitzer quando interromperam a emissão. Sinto-me desamparado sem ver o "The Situation Room". Que tragédia ática. Ainda falta para mais de meia hora para o jogo dos Celtics começar. (Post escrito deitado e muito torcido.)

O Nadador

Era um daqueles domingos de Verão em que toda a gente fica sentada a dizer: "Ontem à noite bebi demais." Podiam-se ouvir os fiéis a sussurrá-lo ao sair da igreja, ou da boca do próprio padre, a tentar livrar-se da sotaina na sacristia, podia -se ouvir no golfe e no court de ténis, ou na reserva natural onde o chefe do grupo Audubon de observadores de pássaros curtia uma tremenda ressaca . "Bebi demais", disse Donald Westerhazy. "Todos bebemos demais", disse Lucinda Merrill. "Deve ter sido o vinho", disse Helen Westerhazy. "Bebi demais daquele clarete."

Passava-se isto na borda da piscina dos Westerhazy. A piscina, alimentada por um poço artesiano com alto teor de ferro, era de um verde pálido. Estava um dia magnífico. A Oeste havia uma densa formação de cúmulos tão parecida com uma cidade vista de longe - da proa de um barco que se aproximasse - que podia ter um nome. Lisboa. Hackensack. O sol estava quente. Neddy Merrill estava sentado junto da água verde, uma mão lá dentro, outra à volta de um copo de gin. Era um homem esguio - parecia ter a elegância particular da juventude - e embora estivesse longe de ser novo, nessa manhã descera a escorregar pelo corrimão e dera um piparote nas costas de bronze da Afrodite de cima da mesa da entrada, enquanto trotava em direcção ao cheiro do café na sala de jantar. Poderia ser comparado a um dia de Verão, mais precisamente às últimas horas da tarde, e apesar de não trazer uma raquete de ténis nem um saco de vela, a impressão que dava era decididamente de juventude, de desporto e de tempo ameno. Tinha estado a nadar e agora respirava profundamente, arquejante como se pudesse engolir pelos pulmões os elementos desse momento, o calor do sol, a intensidade do prazer que sentia. Parecia fluir-lhe tudo para o peito. A casa dele ficava em Bullet Park, cerca de treze quilómetros para Sul, onde as suas quatro lindas filhas teriam já almoçado e deviam estar a jogar ténis. Ocorreu-lhe então que se fizesse um desvio para Sudoeste podia ir a nadar para casa.

A vida dele não era uma prisão, e o prazer que esta observação lhe deu não se podia explicar pela evasão que sugeria. Parecia estar a ver, com olho de cartógrafo, a enfiada de piscinas, aquele ribeiro quase subterrâneo que traçava uma curva através da região. Tinha feito uma descoberta, uma contribuição para a geografia moderna; iria dar ao ribeiro o nome de Lucinda, como a mulher. Não era pessoa dada a brincadeiras nem era parvo nenhum, mas era decididamente original e tinha uma vaga e modesta ideia de si próprio como uma figura lendária. O dia estava bonito e pareceu-lhe que nadar uma grande distância podia aumentar e comemorar essa beleza.
(...)

John Cheever, O Nadador
Tradução de José Lima
FICÇÕES de férias


(O resto do mais célebre conto do Cheever aqui; imprimam e leiam; é sublime, pois claro, e lembra-me vagamente o "Babilónia revisitada" do Fitzgerald que podem encontrar no FICÇÕES de filmes.)

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