quinta-feira, 5 de junho de 2008

80's



4-1 para os Lakers, chama-se a isto gestão de expectativas, creio. Reparo agora nisto: os Lakers tinham tudo para ter a minha inestimável simpatia: sempre foram a equipa dos "talentos" - estou a pensar em Chamberlain, West, Magic, Baylor, Kareem, Shaq e Kobe -, e os Celtics sempre foram conotados com "trabalho" e "esforço" e "união nos momentos péssimos" e "mística" e todos esses lugares comuns que me enojam e me dão asco escrever. Ora deus nosso senhor sabe como abomino equipas dessa natureza, ora deus nosso senhor sabe como venero o "talento" - se preguiçoso e egoísta melhor ainda. Certo que Danny Ainge juntou Garnett - o mais competitivo bicho talentoso do universo - e Allen a Pierce, mas ainda assim Doc Rivers, o estafermo, fez daquilo uma "equipa"; e do outro lado está o génio infinito de Kobe. Que seja uma excepção, nada mais, esta minha afinidade pelos Celtics. (Ando muito apaixonado por todos os vídeos do Dan Quayle que encontro no YouTube.)

60's



Auerbach: "Russ, go into the man's room and throw up."

quarta-feira, 4 de junho de 2008

problemas danados

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Consta - há quem esteja sempre disposto a lembrar-nos disso com um contentamento desmedido - que Barack Obama tem problemas, sérios, uma imensidão deles: o discurso ora é ambíguo ora é vazio, ora populista ora elitista (decidam-se); é o pastor mentecapto que não se cala por nada deste mundo; é a inexperiência do senador do Illinois que pode conduzir o país às maiores tragédias; é o eleitorado de Hillary que Obama não consegue conquistar, etc.. O primeiro argumento é de uso fácil e aplicável a qualquer candidato se a má vontade imperar; o segundo estará em vias de ser esquecido de vez por cansaço e/ou irrelevância da personagem pastor; o terceiro cai por terra se pensarmos que a experiência política de Bush, Cheney e companhia era inegável e resultou em zero - a "experiência" por si só nunca valerá de nada se os primeiros juízos forem errados; e o quarto tenderá a ser diminuído com a escolha do vice de Obama, seja a própria Hillary Clinton (não creio, não creio) ou Kathleen Sebelius ou outra pessoa qualquer - tenderá a ser diminuído e não erradicado pois falamos de eleitorado que tradicionalmente vota e votará em larga maioria nos republicanos, coloque Obama a vice quem colocar. Mas - e estive aqui uns bons minutos entretido a pensar com todo o meu génio sobre o assunto - parece-me que Hillary Clinton ainda tem mais problemas. A começar nisto: não conseguiu a nomeação do seu próprio partido. A acabar nisto: Obama conseguiu. É capaz de ser um problemaço danado para ela. McCain? Terá um adversário real a partir de hoje e isso dar-lhe-á a sua própria imensidão de problemas (a juntar à colagem com Bush que McCain tentará evitar como bem puder e os democratas deverão salientar frase sim frase sim até à exaustão). Mais: sem adversário concreto que vantagens conseguiu McCain desde a sua nomeação até hoje? As sondagens dizem que poucas ou nenhumas. Bottom line: problemas todos têm: Hillary seguramente mais que Obama; McCain na mesma proporção de Obama (pelo menos). Barack Obama passou na visão de muito boa gente de simpático e agradável candidato que iria aborrecer a vida de Hillary Cinton nas primárias democratas, a candidato utópico, frívolo, que, vejam lá bem, agora é forte candidato a ganhar a presidência dos EUA. A campanha de Obama é, suceda o que suceder em Novembro, notável e nunca menos que notável - há um ano, caramba, mesmo há meia-dúzia de meses, Hillary emergia como candidata óbvia do partido, e esta seria a sua hora. A senadora de NY como candidata democrata não era só forte probabilidade, era inevitabilidade. Que ninguém seja pateta e menospreze o caminho até aqui feito por Barack Obama - será sempre perigoso. O espectáculo, o verdadeiro, o tal "maior espectáculo do mundo" começa agora.

* não resisti: imagem roubadíssima ao blogue do Andrew Sullivan.
** são 01h03 e faltam cinco delegados para Obama garantir a nomeação.

sábado, 31 de maio de 2008

"Let's talk about this outfit you got on. (...) You can't just grab something from the 1970's and try to bring it back."



(a partir do minuto e treze, sff.)

estou capaz de apostar 40 euros que isto vai cair para os Lakers, parece-me certinho, aí uns 4-2, mas a pinta desta gente nunca vão ter



(Bill Russell, onze, repito, onze vezes campeão desta bodega e dono do riso mais extraordinário de que tenho memórian este exacto momento.)

terça-feira, 27 de maio de 2008

Pollack

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O F., meu bom amigo, faz questão de me avisar de toda e qualquer morte que ocorra no mundo do cinema. Mensagem curta: "O Pollack morreu". Cá acho que o F. deve ter uma ligação directa com uma agência noticiosa de obituários especializada. Lembrei-me de seguida de um antigo professor de faculdade. O homem via em Pollack a perfeição: "Não tem um único filme mau", disse-me num intervalo de uma aula (por entre um café para despertar e escárnio ilimitado ao Oliver Stone). Sou desconfiado e ri-me por dentro e franzi-lhe o olho; soou-me a exagero da pior espécie e recordei "África Minha", o mais célebre de toda a obra de Pollack, mas filme que não tenho em grande conta (mi madre jamais aprovaria o conteúdo desta minha última mensagem). Passaram-se três ou quatro anos e palavra que nem hoje sei que pensar sobre a dita frase do meu ex-professor - falta-me ver um número considerável dos seus filmes para certezas dessa ordem. Sei disto: cresceu o interesse por Pollack e aprendi a respeitá-lo (o que é dizer muito). Em especial por três filmes: reservo a mais alta das minhas estimas para "Jeremiah Johnson" (não sei o título em português de cor, já soube); e num patamar abaixo desse (mas alto o suficiente) coloco "The Yakuza" e "Three Days of the Condor" - este último visto noutra aula por intermédio de outro professor. Guardo estes três em vhs. "Jeremiah Johnson" (72) entre "McCabe & Mrs. Miller" (71) de Altman e o "Dead Man" (95) de Jim Jarmusch - faz-me todo o sentido, como se trilogia aquilo fosse. O resto da filmografia como realizador é apreciável (o F diz "muito competente" e assim), ainda que sem rasgos de maior - estou a pensar em "Tootsie", "Sabrina", "The Firm", "Havana", "Absence of Malice" e "The Interpreter", os que vi. E depois há aquela sua faceta de actor secundário que sempre apreciei e onde Pollack se safava com uma elegância desarmante. Sublinho só a última frase deste texto do Ricardo que dá muita vontade de copiar na íntegra: "Era um tipo com imensa pinta. So long, yakuza!"

feira do livro (1ª leva)

"Henrik Ibsen - Peças escolhidas 1", na Cotovia, 15 euros;
+
"O Último Magnate", Francis Scott Fitzgerald, na Relógio D'Água, 5 euros;
+
"Parece Mesmo o Paraíso", John Cheever, na Relógio D'Água, 1 euro - livro que desconhecia e desconheço em absoluto; prendeu-me ser de quem é; li o "Falconer" e alguns contos seus de rajada e não trazer isto por 1 euro era de retardado mental e 1 euro custa uma fartura.

avulso

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Num dos últimos episódios que por aí correm da série, conta o amigo House à amiga Cameron (Jennifer Morrison): "All pretty girls are fungible". A espirituosa frase tem um contexto, um contexto claro, e em pano de fundo para a dita sentença está a personagem da Olivia Wilde, um daqueles perfeitos exemplos de excelsa beleza.

* outra ainda no mesmo episódio: "Hope is for sissies."

os passinhos de dança da menina Chan Marshall...

No fim e com aquela merda de lugar, ficam-me aqueles passos, aquela dança perfeitinha da menina Chan Marshall enquanto cantarolava. Isso e a música do novo álbum dedicada ao Dylan. Bem-haja por isso.

sábado, 24 de maio de 2008

notas mentais para uso futuro ou para nunca

* quanto custa um bilhete de avião para Buenos Aires?, é caro, é caríssimo;

* o que quero comprar na feira do livro: o Walser que agora saiu, Cortázar na Cavalo de Ferro, o Fitzgerald que me falta, Ibsen e Samir Kassir na Cotovia; talvez um livrinho sobre a Guerra Civil de Espanha ou a biografia do Churchill pelo John Keegan na Tinta-da-China se os apanhar a preços decentes; mais uns quantos livros que imagino baratecos na Relógio D'Água e que me interessam (como o "Contos de Kolima" do Shalamov) - enfim, acho que é isto;

* o meu primo Rui tem pinta de chulo - não via o meu primo Rui aí há uma década;

* o meu primo Rui tem três filhos de três mulheres diferentes;

* o meu primo Rui saiu de casa e foi viver com a filha do patrão;

* simpatizo como tudo com o meu primo Rui - que quando era muito puto tratava-me sempre por "gabiru" - e tenho uma pena daquelas por este hiato de dez anos - fez-me falta, muita falta;

* o casarão abandonado do meu avô paterno;

* vi um filme do Nicholas Ray de que não gostei assim muito e fiquei quase quase transtornado;

* como aprendi a gostar do Cimino;

* por que não gostei nadinha do novo Indiana Jones;

* por que não sou capaz de não gostar do novo Wong Kar-wai: a cena do Jude Law com a Cat Power e mais um par de frases que cá guardei;

* o Miklós Jancsó;

* o Törless do Musil;

* não ligo puto ao Bukowski;

* vem cá o Toumani Diabaté;

* vem cá o Bill Callahan;

* arranjaram-me bilhetes para Cat Power - ainda que para um lugar foleiro;

* não ouvi nadinha do "Jukebox", mas tenho de ver aquela mulher (atentem nisto: tenho de "ver" aquela mulher, urgente, o disco escuto-o quando bem entender, nos concertos não escuto nada, "vejo");

* "The Evangelist", o melhor álbum de Janeiro a final de Maio deste ano;

* como odeio fazer a barba;

* como odeio ter a barba por fazer;

* a despedida de solteiro do J;

* eu e as namoradas dos meus amigos;

* a filha do Keith Richards;

* a poesia da Judith Herzberg;

* a 18ª imagem do Google para "Judith Herzberg";

* poker, jogo de mentira e tomates - coisa mais perfeita;

* os tiques do Izmailov;

* o Ronaldo falhou um penálti e meio país excitou-se, não pode, não pode, o melhor do mundo "não pode" falhar um penálti - eu cá acho que pode, eu cá acho que deve, eu cá acho que até dá uma aura de humano que lhe assenta bem;

* o Maradona e o Ivkovic (à boleia do penálti falhado);

* o Diogo Rosado: um júnior do meu clube com o pé esquerdo mais fino e preciso e displicente desde o Dani;

* o Rajon Rondo é mais jogador do que eu julgava;

* Campo de Ourique;

* black vodka, já podia ter descoberto isto há mais tempo;

* o David Axelrod;

* o McCain não é o Alan Alda;

* a Cindy McCain;

* o meu novo telemóvel é tão bonito que não me atrevo a mexer nele.

Arquivo do blogue

«I always contradict myself»

Richard Burton em Bitter Victory, de Nicholas Ray.